terça-feira, 6 de abril de 2010

A saga continua.

A política de encerramento dos serviços de urgência por parte do Ministério da Saúde continua, o próximo será o de Valença.


Mais uma vez ao bom modo do antigo regime, onde a politica eu quer posso e mando foi aplicada sobre um regime que se diz democrático, onde não foram nem sequer ouvidos ou analisados a capacidade dos bombeiros locais, responsáveis legalmente pelo socorro local, que como já foi noticiado que terão um grave acréscimo no tempo de transporte, e o socorro não poderá estar disponível para todos os cidadãos, porque alem do tempo de transporte, existe a retenção de meios nos hospitais por falta de macas, equipamentos e pelos sistemas burocráticos impostos e pelo valor pago, que não cobre as despesas existentes.

Mais uma vez o Ministério da saúde mostrou a bandeirinha do INEM como solução, como se esses meios pudessem ser a solução para o encerramento de um serviço de urgência, tomara que esses meios do INEM estejam operacionais quando os cidadãos necessitem deles para situações de emergência, quanto mais serem accionados para situações de urgências.

Pelo menos a população local mostrou a sua indignação, em todas as casas existem bandeiras Espanholas hasteadas, em vez das Portuguesas, o serviço de urgência de Tui em Espanha prontificou-se para receber os cidadãos que necessitem de ajuda, sem qualquer imposição, como se impõem aos portugueses “Vamos andar 18 quilómetros para trás, para ir a Monção buscar um carimbo, e ter que fazer todo o percurso inverso para rumar ao hospital de Viana”. Em quanto as urgências de Tui ficam a cinco minutos sem qualquer imposição.

Somente noz por cá…

Fénix
http://voo-da-fenix.blogspot.com/

2 comentários:

danieL disse...

Concordo que falta muitas vezes participação cívica na nossa sociedade e ela é muito importante no desenvolvimento das sociedades modernas democráticas, aliás, falta enriquecer a nossa democracia representativa com uma democracia participativa.

Mas neste caso específico é preciso informação e conhecimento de causa para se protestar e se reivindicar o que quer que seja.

- Não se deve (porque poder, pode) pedir que não se feche um serviço de urgências quando não existe nenhum serviço de urgências;

- Não se deve (porque poder, pode) pedir que não se feche um SAP das 00h às 08h quando a média de atendimentos nesse horário é escandalosamente baixa;

- Não se deve (porque poder, pode) dizer que a população fica pior servida porque é falsa a sensação de segurança quando aquilo que se tem para fazer face a situações de urgência/ emergência é um SAP que pouco mais fará nessas situações que encaminhar o utente para um verdadeiro serviço de urgência com meios técnicos e humanos capazes de fazer a diferença nesses casos.


Seria preferível que a comissão de utentes se informasse relativamente ao tipo de serviço que tem e que vai ter para assim informar as pessoas do que misturar urgências com SAP e passar a ideia que as pessoas de Valença ficam piores do que aquilo que estavam. E aí, a comunicação social também não ajuda porque se demite constantemente do seu papel pedagógico preferindo sempre uma abordagem superficial e pouco rigorosa das noticias. A verdade é que a população de Valença terá à disposição uma Consulta Aberta (não programada com atendimento por ordem de chegada) das 08.00h às 24.00h. Durante 24h por dia e tal como antes, situações de emergência devem ser encaminhadas para o 112 para que os meios vão ao encontro da vítima e não o contrário. Portanto, para situações realmente emergentes, não muda nada. Interessa por isso é colocar o enfoque nos meios de resposta a essas situações: são suficientes? prestam uma boa qualidade de serviço?

Mais uma vez parece-me que seria mais útil as atenções estarem concentradas no dispositivo de emergência pré-hospitalar (adequação à realidade em termos qualitativos e quantitativos) dado que é impossível ter um hospital com serviço de urgência em todos os lugares. E vale uma vez mais a máxima "o doente certo no local certo no tempo certo" e para isso precisamos de evoluir muito no pré-hospitalar e no 1º elo da Cadeia de Sobrevivência.

Cumprimentos

Fénix disse...

Sr. Daniel, em primeiro lugar deve-mos separar serviços de urgência de serviço de emergência, e julgo que o serviço de urgência de valência serve muito bem a sua população, situações onde as pessoas necessitam de terapêuticas para pequenos mal ou simples pensos, aliás cerca de 90% dos serviços num serviços de emergência são isso mesmo coisas simples que podiam ser resolvidas nos centros localmente, e deixar os serviços de emergência para as verdadeiras emergências.

Sou apologista que todos os centros de saúde deviam ter equipamento de SAV, um equipamento que devia ser obrigatório, não custa assim muito dinheiro, e a formação é meramente fácil de obter, estamos a falar de uma classe que não é leiga nesse assunto, basta querer, do que esperar que outras pessoas venham fazer, isso sim é um testado de incompetência para qualquer médico digno desse nome.

Como se esta aprovar, tomar que o serviço nacional de saúde tenha capacidade de ter meios para os serviços de emergência, quanto mais ocupar esses meios com serviços que muitas das vezes são meros transportes, mas como ninguém quer assumir a responsabilidade de dizer NÃO, vão para os hospitais congestionar os poucos recursos dos serviços de emergência.